Conta à história do adolescente cego Leonardo (Guilherme Lobo), que vive todas as descobertas normais nessa essa fase da vida, junto com sua amiga Giovana (Tess Amorim) e Gabriel (Fabio Audi), seu novo colega de classe por quem o menino se apaixona.

Diferente do curta, o filme não foca apenas na descoberta e construção da sexualidade dos três personagens principais. O longa também se mostra preocupado em destrinchar as relações que Leo tem com o mundo. Isso inclui planos de intercâmbio e, principalmente, a dinâmica familiar desenvolvida com os pais e a avó. É justamente isso que nos faz entender a mudança do título.

Leo, como todo adolescente, quer ser independente e acumular experiências, mas nada disso fica mais fácil quando se é cego. A preocupação de sua mãe o impede até de se balançar em uma cadeira. Dessa forma, o menino se sente ainda mais podado e forçado a se manter em uma bolha sem a possibilidade de conseguir fazer o que deseja.

A amiga Giovana, sem querer, colabora com isso. Ela é o porto seguro e acaba por entender que essa zona de conforto em que coloca o amigo é mais do que confortável para ele. Daí sua paixão platônica que se mistura com uma amizade ciumenta, se vê ameaçada por Gabriel.

É necessário coragem para não ter medo de buscar uma realidade que pode ultrapassar as barreiras do cinema. Há um momento em que Leo usa o moletom que Gabriel esqueceu em sua casa para dormir. O ato de cheirar a peça de roupa e se permitir imaginar nos braços do recém-descoberto amor em um simples moletom conversam com muitas experiências do próprio público. O mesmo acontece com a cena em que os dois tomam banho em um acampamento. A sutileza da reafirmação do desejo de Gabriel entra em embate com todos os sentimentos que, de alguma maneira, ele tentou esconder.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho não é um filme sobre aceitação, é um filme extremamente sensível sobre o que faz do amor, amor, não importa como for.