“O Pequeno Nicolau”, o filme inspirado em “Le Petit Nicolas”, obra criada em 1959 por Jean-Jacques Sempé e René Goscinny, cocriador de Asterix, faz um verdadeiro elogio a pureza e a nostalgia dos melhores dias de uma infância.

Ambientando na França dos anos 50, de tipos caricatos metropolitanos à Monsieur Hulot. O Nicolau do título interpretado pelo ator mirim Máxime Godart, aparentemente não tem com o que se preocupar. É filho único de um pai que conta vantagens e uma mãe que o mima demais. Cheios de problemas são os amigos de Nicolau na escola: Tem o que estuda pouco, o que estuda até demais, o que briga muito, o que come vive comendo guloseimas (hummmm). Nicolau, não. Vive uma infância plena. Tanto que, ao ser perguntado o que gostaria de ser quando crescer, o menino nem sabe o que responder!

Mas o primeiro sinal do amadurecimento surge em um momento de desconfiança: Nicolau suspeita que seus pais estão querendo lhe dar um irmão caçula e pior, ao entender tudo errado, ele passa a acreditar que será “jogado fora” com a chegada do bebê. Em pânico com o futuro, Nicolau conta com a ajuda de seus melhores amigos e a partir daí a confusão é garantida.

A sacada do filme de Tirard é nos apresentar o mundo pelos olhos de um garoto -, um mundo que não capta as insatisfações do pai no trabalho, por exemplo, ao mesmo tempo em que acompanhamos a realidade enxergada pelos adultos. Há duas histórias correndo em paralelo em “O Pequeno Nicolau”, dois pontos de vista (o adulto e o infantil) sobre uma mesma situação, e é divertida a rede de falsos acasos que o roteiro arruma para amarrá-las no final.

Cheio de situações engraçadas, o filme desperta memórias de um tempo que todos vivemos, cheio de prazeres simples (aah que saudades do cheiro de bolinho de chuva!!), um verdadeiro “presente” para a alma.