Vinhos Brasileiros. Estive na Serra Gaúcha nos últimos dias visitando alguns produtores de vinhos nacionais. Sempre tive a certeza de que nossa vinicultura tupiniquim poderia e pode gerar bons vinhos.

Fui  em busca de novos vinhos, novos horizontes enológicos que não chegam ao consumidor de todo nosso país e por ser um estudioso do assunto pude ver de perto o esmero com o qual algumas pessoas tratam o vinho por lá. Nessa busca tive a imensa honra e alegria de conhecer a família de Vilmar Bettú, um produtor de vinhos artesanais  ou, como falamos normalmente, vinhos de garagem em Garibaldi. Conhecido pelos excelentes vinhos que produz, esse produtor me surpreendeu com excepcionais vinhos desconhecidos do grande público.

Nesse dia o proprietário infelizmente não pôde estar conosco pois havia viajado, mas a recepção inicialmente tímida e posteriormente mais acalorada de sua esposa, filha e genro  fizeram com que eu me sentisse  em casa. Foi algo mais do que surpreendente. Vinhos excepcionais, boa mesa, pessoas simples e conhecedoras de seus produtos me fizeram acreditar que estamos no caminho certo, que bons vinhos são feitos com técnica, boas uvas e muita alma.

Quando provei os vários vinhos da família descobri a alma que estava dentro daquelas garrafas, descobri que vinho bem feito pode ser encontrado nos mais remotos cantos do país e que,  não é necessário muito luxo nem muito marketing, basta ter um produto bom que ele se vende sozinho. Iniciamos a degustação com um bom Chardonnay barricado com 8 meses de madeira que estava bem equilibrado em sua composição de fruta madura, acidez e madeira.Passamos ao Malvasia de Cândia que me surpreendeu muito pela acidez elevada e boa fruta entremeadas com toques verdeais de menta e alecrim.

Interrompemos a degustação para a prova de um Merlot rosé 2014 que o Sr. Vilmar havia pedido que nos mostrasse e o mesmo ainda estava  na cuba de inox.Vinho fresquíssimo, salino, dava para sentir toda a leveza do produto que não mostrava os 14 graus de álcool, tamanho era o equilíbrio do produto ali desenvolvido .Confesso que bebi toda a taça. Um espetáculo!

Passamos ao Ancellota 2012 cuja  cor azul vivo e profundo mostrava todos seus  aromas terrosos e muita cor. Vinho ainda muito novo merecendo  alguns anos de evolução na garrafa.Seu  taninos macios merecem a atenção do consumidor.Vinho Estupendo, gastronômico.

Seguimos com o chamado Corte Bordalês 2002, que o Vilmar chama de corte D, vinho com corte de Merlot e Cabernet Sauvignon.Bastante evoluído,suas cores levemente acobreadas mostram a idade .Puríssimo bordalês, este exemplar pode perfeitamente fazer frente aos vinhos franceses. Perfeito,acidez na medida, pode ainda ser guardado mais alguns anos e isso fará bem ao produto.

Passamos ao Marselan 2005. Sua cor perfeita e os  aromas de herbácios entremeados pela fruta evoluída me seduziram e fizeram daquela tarde um grande evento .Seus taninos bastante presentes convidaram a um queijo grana padano gentilmente servido na degustação. Irresistível e com gosto de quero mais.

Fechamos com o Nebbiolo 2002. Cepa considerada uma das mais desejadas pelos apreciadores de vinhos, a Nebiollo faz um dos vinhos mais maravilhosos da Itália, o Barolo. Simplesmente Divino,Maravilhoso.Vinho evoluído na medida certa com  taninos melhorando a cada dia na garrafa, este vinho estava perfeito.Muito perfumado e competitivo com qualquer  bom vinho da mesma estirpe italiano.Foi , sem dúvida,o melhor vinho que provei feito em solo brasileiro.

Assim, ao final dessa verdadeira aula de enologia me despedi com a promessa de voltar, de divulgar o excelente trabalho dos Bettú, de levar seus vinhos comigo e poder fazer com que mais e mais pessoas possam conhecê-los a fim de mostrar ao Brasil o que nós fazemos de bom. Saúde a todos!