Iemanjá é a rainha do mar e mãe de todos os filhos e de todo o mundo, cultuada nos rituais de Candomblé, e assim como os demais orixás, possui preferências únicas. O peixe é o seu alimento preferido. Este orixá é apenas um exemplo usado pela chef-proprietária do restaurante Dui em São Paulo, Bel Coelho. Por mais de um ano ela estudou os alimentos das oferendas de cada orixá e desde meados de abril oferece um cardápio especial, apenas um dia da semana, servido no Clandestino, restaurante que fica no piso superior do Dui.

Bel Coelho e a Cozinha dos Orixás
Foto Adriano Bellagente

A Cozinha dos Orixás foi o tema da palestra da chef no Mesa Tendências, Congresso Internacional de Gastronomia, realizado pela revista Prazeres da Mesa e Senac, que terminou ontem. Ela explicou como adaptou as características de cada orixá no preparo de cada combinação e fez três demonstrações. Bel Coelho estudou 12 orixás e para cada um montou um prato exclusivo, baseado em suas preferências. “É uma interpretação própria dos orixás traduzido em um menu especial. Os orixás fazem parte da nossa vida, mas evitamos falar sobre essa religião”, disse.

No final, a chef foi surpreendida por uma Ìyá Basé, cargo instituído apenas à mulheres de grande sabedoria junto à comunidade e é a representação que conhece todos os segredos da cozinha que sabe exatamente os ingredientes de cada orixá. “Bel, eu gostaria de dizer que os orixás estão muito satisfeitos com o seu trabalho e que vão lhe proteger por todo o seu caminho”, falou.

Homenagem a Xangô, de Bel Coelho
Foto Adriano Bellagente

Exú – se aproxima mais do ser-humano. Ele pode e deve comer de tudo e deve ser servido antes de todos os outros. Para ele, a chef destacou um cupim com farinha de dendê, geleia de mel e cachaça e aroma de fundo, feito com um defumador.

O orixá Exú foi brindado com cupim, geleia de mel e cachaça e aroma de fumo.
Foto Adriano Bellagente

Nanã – Senhora das Águas doces e dos pântanos e a orixá mais velha. Tudo deve ser servido em madeira, um elemento forte da sua origem. Gosta de sarapatel e por isso foi lembrada com um bombom de sarapatel com jabuticaba e broto de agrião.

Ogum – orixá do ferro e da forja. Gosta de feijoada. Para ele, preparou um bolinho acarajé de feijoada.

Ossaim – orixá que tem o encantamento. Gosta de mel e feijão fradinho. Possui grande sabedoria sobre as ervas sagradas e por isso foi homenageado com uma salada de ervas e brotos com granizado de hortelã.

Iansã – Deusa da tempestade e dos ventos. Gosta de acarajé. A chef preparou uma esferificação de acarajé e o prato leva ainda farofa de camarão e vinagrete.

Iemanjá – Rainha do mar, representa a maternidade. Gosta de peixes e frutos do mar. A mãe de todos os filhos foi homenageada com um robalo cozido em baixa temperatura servido com areia de coco e pérolas de leite de coco e capim santo.

Oxalá – Deus da criação, criados de todos os seres humanos. Tudo deve ser oferecido na cor branca. Adora inhame. Para ele, Bel combinou vieiras grelhadas com mil folhas de palmito pupunha, cogumelos paris e espuma de inhame.

Xangô – orixá da justiça, dos trovões e das pedreiras. Gosta de rabada. A chef brindou Xangô misturando carne com frutos do mar com sabor mais apimentado.

Oxóssi – grande caçador, que trás a comida para casa. A interpretação da chef para esse orixá leva javali em folha de taioba com molho de cacau e jaca verde.

Oxum – Deusa do amor. Adora ovos e bananas. Oxum ganhou uma sobremesa na visão de Bel Coelho, que leva banana ouro, sorvete de gema e caramelo, finalizado com folha de ouro.

Oxumarê – Deus do arco-íris. Possui como símbolo a cobra e o infinito. Tem o poder de curar. Também fez parte da sobremesa e foi homenageado com batata-doce com canjica e gelatina de erva-doce.

Omolú – orixá da doença. Gosta de pipoca. Com as suas preferências, a chef preparou um peti four, para acompanhar um café, com uma telha de pipoca.

Oxum foi homenageado com uma sobremesa que leva banana ouro, sorvete de gema, caramelo e folha de ouro.
Foto Adriano Bellagente