Eu não consegui ser indiferente a esta notícia. Os vereadores de São Paulo aprovaram ontem o PL 537, do vereador Laércio Benko (PHS), que “proíbe a produção e a comercialização de foie gras (patê de fígado de ganso) e artigos de vestuário feitos com pele de animal”. Ok, concordo em relação a pele e até achei que já tivéssemos essa lei proibindo.

No entanto, proibir a produção e venda de foie gras é ir longe demais. O foie gras é o fígado gordo de gansos, patos e marrecos alimentados à força. O método é ancestral, assim como a sua produção. Segundo Harold McGee, autor do livro Comida & Cozinha – Ciência e Cultura da Culinária (levo ele aonde vou), o “foie gras é feito e aprecidado desde a época romana, provavelmente desde muito antes. A alimentação forçada de gansos é representada claramente na arte egípcia de 2500 a.C.”.  É uma iguaria típica da gastronomia francesa. Comer foie gras em Paris é muito mais barato que um cordeiro, por exemplo.

Comer ou não comer foie gras deve ser uma decisão do próprio consumidor. Existe a agressão ao animal assim como em todos os outros tipos de animais consumidos pelos seres humanos: boi, vaca, peixe, carneiro, frango, pato, porco…e por aí vai…cachorro em alguns países e até cavalo.

Proibindo a produção de foie gras, na minha opinião, deveria ser proibido então, sob o mesmo regime, a comercialização de todos os outros animais e vamos todos, por força da lei, nos tornarmos vegetarianos. Nada contra esse estilo de vida, e muito pelo contrário, admiro quem segue essa filosofia. No entanto, somos seres carnívoros desde a pré-história.

Não concordo em proibir um item, sendo que todo o restante está sendo praticado da mesma forma. Eu comi foie gras algumas vezes e gosto bastante. É gostoso! Assim como frango, vaca, porco, cordeiro…Se a questão da forma como a nossa carne, seja ela de qualquer espécie, é produzida entrar em cheque, vamos então ser obrigados a nos tornar veganos, pois em todos os atos existe a violência contra o animal e não só na produção de foie gras.

Saiba Onde Comer Foie Gras em São Paulo:

*La Brasserie
R. Pedroso Alvaregna, 1088 – Itaim Bibi São Paulo, 01244-001
(11) 3826-5409

*Le Vin Bistrô
R. Pais de Araújo, 137 – Itaim Bibi
São Paulo – SP
(11) 3168-3037

Foi Gras com Massa em Paris. Iguaria típica da culinária francesa.

Foi Gras com Massa em Paris. Iguaria típica da culinária francesa. Foto Patrícia Guimarães

Leia Trecho da Reportagem da Revista Carta Capital sobre o Assunto:

“Foi no sudoeste da França, porém, que o foie gras originou uma tradição extensa, a satisfazer nobres e plebeus. Com a chegada do milho das Américas, ideal para saturar o órgão de gordura e sabor, e o cruzamento de espécies selvagens e domésticas, o produto ganhou estatuto de arte. Denominações de origem controlada surgiram. E, a partir do século XIX, com a industrialização e suas latas, nascia um produto de exportação, o maior e mais controverso símbolo da gastronomia francesa.

Desde que os direitos dos animais entraram em cena no século XX, a polêmica ronda o foie gras: hoje, 22 países proí-
bem sua produção, ao criminalizar a alimentação forçada de animais (gavage). Um pedido de banimento geral foi feito no ano passado no Parlamento Europeu. Como o alimento é reconhecido pela Unesco, a chance de aprovação é nula. Mas a grita não cessa. Tanto que o espanhol Andoni Aduriz, chef do Mugaritz, considerado um dos cinco melhores restaurantes do mundo, virou o porta-voz mundial informal contra a medida. Após seu restaurante ser multado por usar foie gras de um produtor não regulado, Aduriz começou uma campanha para salvar o foie gras das tentativas de lei visando criminalizar seu consumo.

Hoje, qualquer restaurante francês no mundo que se preze oferece o caríssimo item – menos na Califórnia, onde uma lei proibindo sua comercialização, sob o argumento de que sua produção era “cruel”, entrou em vigor em 2012 , instaurando a hipocrisia. Os restaurantes agora o servem “como presente”. Pede-se um prato de massa por 100 dólares e ganha-se, voilá!, deliciosa surpresa, um foie gras. O mesmo aconteceu em Chicago, em 2006. Mas os restaurantes desafiaram a lei, servindo o produto de graça e inventando pratos cínicos, como a pizza de foie gras. O banimento foi revisto.

Eis então que São Paulo ganha espaço  nessa curiosa vanguarda de cidades nas quais não há tradição significativa de produção ou consumo de foie gras, mas com uma lei para proibi-lo. “Eu adoro, é um prato delicioso”, diz o vereador Laércio Benko, do Partido Humanista da Solidariedade, autor do projeto em tramitação na Câmara. Em 2009, ele viajou à Hungria de seus antepassados e se esbaldou. “Pedi foie gras no almoço e no jantar, de tudo que é jeito”, lembra. “Lá pelo décimo prato, minha amiga me perguntou se eu sabia como era feito. Mostrou vídeos. E decidi que deveria proibir se fosse eleito.” Benko ganhou mandato em 2012 e, entre os 90 projetos “em estoque”, lá estava o tal. (…) a legislação francesa dita a prática. “O foie gras faz parte do patrimônio cultural e gastronômico protegido na França. Entendemos por foie gras o fígado de um pato ou ganso especialmente engordado pela gavage”, diz o código rural do país”