A Importância Social Do Lar Betel

O crescimento percentual dos idosos neste país, seja a partir das estatísticas e projeções do IBGE, ou de análises demográficas de especialistas, dão conta que a população de idosos  e o aumento da longevidade, estão a exigir do Estado, políticas públicas adequadas para fazer frente aos desafios que se apresentam já no presente e ainda mais acentuadamente no futuro próximo. Neste contexto, olhamos para o Lar Betel, desde o esforço de mulheres solidárias, há 60 anos, preocupadas com idosos carentes ou abandonados, que fundaram a Instituição. A precariedade da época era suprida pela boa vontade.  O acolhimento já era um bem em si mesmo. Hoje, com o aumento da população de idosos aumentaram os problemas sociais do abandono, da carência financeira e mesmo da sobrevivência.  Só que a evolução social em nosso país já não se contenta mais com esforços solidários e de boa vontade. As múltiplas e complexas demandas que envolvem o cuidado do idoso vêm exigindo crescente profissionalização nessa área social.

JANTAR COMEMORATIVO AOS 60 ANOS DO LAR BETEL
www.larbetel.org.br

DATA: 21/11/2013

HORÁRIO: 20H00

Telefone: 3422-4721

LOCAL: TERRAZAS ACONTECIMENTOS

Fundadora: Dona Branca Leite Marcondes

Fundadora: Dona Branca Leite Marcondes

Como está o Lar Betel hoje?  Nada melhor que um passeio pela opinião dos profissionais que hoje atuam no Lar Betel,  para entender os avanços e complexidades hoje presentes no seu dia-a-dia.  Como Presidente “entrevistei” alguns colaboradores que ali atuam.

Davi F. Barros, ex-presidente, hoje colaborador  voluntário, ao ser perguntado: “que diferencia o Lar Betel dos tempos da fundação e as demandas de hoje?”.  Davi: “Como  a sociedade vem exigindo maior profissionalização no trato do idoso, o Lar Betel elegeu para si como Visão: ser referência quanto à organização e gestão de serviços de acolhimento, cuidados e assistência a idosos, com vistas à sua longevidade e qualidade de vida; e como Missão, prover serviços de acolhimento, cuidados e assistência a pessoas idosas carentes, em todas as áreas de sua existência, sem distinção de gênero, raça, etnia, cor, condição social ou religião”.

Ivone Costa, administradora do Lar, respondeu a seguinte pertunta “quais os desafios para o dia-a-dia de atendimento de 92 idosos?”: “Cada idoso ou idosa tem problemas diferenciados, de modo que precisamos estar em contato direto com eles, diariamente, procurando saber se está triste, ou com dor, ou com falta de alguma coisa, se se alimenta bem, e aí prover o atendimento ou ajuda que se faz necessária, ao mesmo tempo em que cuidamos do funcionamento geral de todas as áreas. Acrescentou: a fiscalização e orientação constante dos órgãos públicos, como a Vigilância Sanitária, tem nos ajudado a priorizar corretamente melhorias na infraestrutura física e de pessoal”.

Celise Calixto, Assistente Social, diante da pergunta: “Com a forte demanda social, quais são os critérios para um idoso ser admitido no Lar Betel?” respondeu: “Em primeiro lugar fazemos uma entrevista com o idoso ou seus familiares, para colher informações socioeconômicas, e saber se ele se enquadra no perfil de acolhimento.  Então, selecionamos o que se enquadra no tipo de vaga disponível”.

À nutricionista Maria Manuela F.Torossian foi perguntado: “a alimentação é padronizada para todos os idosos?” Respondeu: “Temos uma cozinha profissional que faz cerca de 140 refeições diárias, bem balanceadas do ponto de vista nutricional, que atende também aos funcionários da casa.  Aos idosos hipertensos, diabéticos ou com outros problemas preparamos dieta especial”.

Paula Maia, Psicóloga, ao ser indagada:  “para que tipo de problemas os idosos te procuram?” respondeu: “são diversificados: solidão, saudade do ambiente familiar, ociosidade, perda de sentido da vida, ou mesmo conflitos com outros idosos, por exemplo”.

Samira A.Scheidi, Terapeuta Ocupacional, respondeu à pergunta: “qual o seu maior desafio em relação aos idosos que atende?”. Disse ela: “de fato precisamos de muita criatividade para motivar os idosos a fazer alguma atividade, seja lúdica, artesanato ou mesmo na programação de uma festa, etc., mas muitos têm respondido de forma satisfatória ajudando até no envolvimento de outros”.

Maria do Carmo Duarte, Fisioterapeuta, entusiasmada com as atividades de sua especialidade fez o comentário: “é gratificante quando começamos a trabalhar um idoso ou idosa, já com movimentos comprometido por artrose ou outro motivo qualquer, e consegue ver avanços na sua movimentação, ou quando promove caminhadas e exercícios em aparelhos na própria instituição e ver a animação de muitos deles. Mas há os que estão acamados e precisamos fazê-los exercitar, de formas adequadas, mesmo no próprio leito”.

Indaiara Rugai Lopes, Enfermeira, à pergunta: “como se cuida da saúde e dos enfermos nessa casa?” respondeu: “São 30 acamados permanentemente, que necessitam de fraldas geriátricas, alimentação na boca e banho no próprio leito, além disso quase todos os 92 idosos precisam de medicamentos em horários definidos, que são administrados por nossa equipe; há, também, casos de urgência que requerem internação hospitalar. Felizmente, hospitais e SUS nos atendem prontamente; e quando falece um idoso procuramos retirar o corpo o mais rápido possível para não entristecer os demais. A família providencia o sepultamento, mas, se não tem família é sepultado num dos dois jazigos do Lar Betel no Cemitério de Vila Rezende”.

Rebeca de Almeida, sobre os convênios com a Prefeitura respondeu: ”Temos sido parceiros numa mesma causa social, hoje com financiamento público para dois projetos sociais, funcionando há alguns anos, para os quais prestamos contas regularmente”.

Antonio F. Costa, encarregado da manutenção da infraestrutura ao ser perguntado: “com o uso tão intenso da infraestrutura, como você cuida da manutenção?” respondeu: “a nossa orientação é: quebrou, estragou? Conserta-se de imediato. Ainda neste mês, por exemplo, com uma doação de uma empresa, e de alguns outros doadores, estamos trocando todo o piso do prédio principal, que já estava muito velho”.

Para finalizar este passeio, como Presidente, e voluntário nessa obra, é preciso considerar a natureza filantrópica e de utilidade pública da Instituição e os altos custos diante das premissas de longevidade com qualidade de vida.  Gratificante é testemunhar o envolvimento da comunidade no sustento da casa, com doações regulares, ou pontuais, convênios com o poder público, bazar beneficente etc., que tem garantido o bom funcionamento da Instituição.

Penso que todos podem concluir que esta é uma Instituição Social legitimada em nossa sociedade, por seus relevantes serviços já prestados ao longo dos seus 60 anos de vida, que não se acomodou no tempo e busca responder aos anseios da modernidade nesse campo de ação social.

Dr. Achile Mário Alesina Jr.

Presidente