Vinícola Guaspari transforma a tradicional região cafeeira da Serra da Mantiqueira em produtora de rótulos reconhecidos internacionalmente

A primeira vez que ouvi que tinha uma vinícola com projeto arrojado no interior de São Paulo quase não acreditei. Não acho impossível, mas improvável um vinho com tantos adjetivos, segundo críticos renomados do mundo todo. A região também inspira dúvidas. A Vinícola Guaspari foi construída em terra tradicionalmente cafeeira, em Espírito Santo do Pinhal, a 200 quilômetros de São Paulo.

Em 2006 foram plantadas as primeiras mudas e dois anos depois a Vinícola Guaspari foi estruturada no que era antes o sítio de lazer da família. Já no século 19 a região foi considerada favorável à viticultura pelo botânico francês Auguste de Saint-Hilaire em sua visita ao Brasil, com terroir comparável a de grandes regiões produtoras como Côte-Rotie, na França e Barosa Valley, na Austrália. Apesar disso, seus mais premiados vinhos, o Syrah da Serra 2012 e Syrah Vista do Chá 2012, são comparados a um bom vinho Californiano de mesmo corte.

Com altitudes entre 700 e 1.300 metros, na maior parte do ano os dias são ensolarados e a noite fresca, com amplitude térmica entre 10ºC e 12ºC na época da colheita. Com destaque para a variedade Syrah, as vinhas ainda estão divididas em Pinot Noir, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon,Viognier, Sauvignon Blanc, Chardonnay e Muskat.

Recentemente a Vinícola Guaspari lançou em um jantar no Fasano do qual eu participei, uma nova linha de vinhos, a Vale da Pedra. A primeira safra acabou de chegar ao mercado e conta com 25 mil garrafas de um vinho tinto e 15 mil de um branco. São produzidos a partir de um blend de uvas de vinhas mais jovens. “Sentíamos falta de um vinho de entrada e mais acessível. Pra mim, ficou melhor do que a expectativa”, conta o português Paulo Macedo, agrônomo, que dedicou boa parte da sua vida às parreiras do Vale do Douro e hoje em dia quebra a tradição de uma região incerta.

O tinto Vale da Pedra 2015, que eu provei, permanece de seis a oito meses em barrica de segundo a terceiro uso e apenas três meses na garrafa. O paladar é bem agradável, com taninos suaves e corpo médio. Um vinho fácil de beber sendo que sua informalidade pode combinar com almoços e jantares descontraídos mesmo em dias mais quentes.

Os novos rótulos que devem chegar ao consumidor final na faixa de R$ 70 podem ser uma boa porta de entrada para os vinhos superiores que a Vinícola Guaspari produz, além de ótimo custo-benefício. No Decanter World Award 2016 os Syrah Vista do Chá 2012 e o Syrah Vista da Serra 2012 receberam medalhas de ouro e bronze, respectivamente. É a primeira vez que vinhos brasileiros são premiados na competição, que é uma chancela para reconhecimento nacional e internacional. Na edição deste ano participaram mais de 15 mil rótulos do mundo todo, avaliados por 244 dos maiores especialistas internacionais.

Para Marina Guaspari Gonçalves, diretora da Vinícola Guaspari, “é uma honra receber esse prêmio tão importante e que nos coloca entre os melhores vinhos do mundo. É também a concretização de um sonho, o de fazer um vinho marcante, que colocasse a região de Espírito Santo do Pinhal no mapa mundial dos vinhos de alta qualidade”.

Esta não é a primeira vez que a Vinícola Guaspari entra no hall internacional. Na primeira participação em um evento internacional, no Palais de Grand Cru 2013, organizado pela Ficofi, em Paris, o inglês Steven Spurrier, editor da revista “Decanter” e também famoso por ter organizado o “Julgamento de Paris”, em 1976, referiu-se aos vinhos da Guaspari como amazing (incrível, sensacional), em artigo publicado na revista “Sommelier”.

Os rótulos da vinícola estão na carta de diversos restaurantes renomados de São Paulo, como o Fasano, Maní e Vinheira Percussi, e inicia gradativamente sua expansão no interior em regiões como a de Campinas. Para encomendas dos vinhos, você pode clicar aqui e acessar a loja própria online da vinícola. Em São Paulo seus rótulos podem ser comprados no Empório Santa Maria, St. Marche e mais recentemente no Eataly.