Autor do Boca no Mundo, participa como jurado nos concursos Comer & Beber da revista Veja Rio e no Comida Di Buteco

Reportagem Carol Duarte para Senhora Mesa

Pedro Landim, o criador do Boca no Mundo, escreve sobre comida e cultura no jornal carioca O Dia. Ele acredita que o melhor da gastronomia pode estar tanto nas mãos de chefs estrelados como nas chapas de botequins desconhecidos. Pedro tem um projeto junto com o +Asas que leva grupos de turistas (brasileiros ou não) a conhecer as delícias escondidas nos botecos mais simpáticos das favelas cariocas. Em bares escolhidos a dedo, com vistas espetaculares para a paisagem da cidade, Pedro leva o grupo para experimentar algumas maravilhas gastronômicas escondidas em comunidades tradicionais. As próximas datas dos passeios são: 25 de abril, sábado e 31 de maio, domingo.

“Escrevo sobre cultura e comida no jornal O Dia, trazendo na mochila prazeres como a coordenação de gastronomia da revista Época o Melhor do Rio de Janeiro, e a leitura de livros sobre o tema para análise e parecer editorial. Passei pelos principais jornais do Rio, como O Globo e o Jornal do Brasil, e acabei me encontrando nas panelas.” – Landim.

Enfim, como se lê no site: “Boca no Mundo é um blog para quem adora comer, cozinhar e se aventurar pelas mesas e balcões”. Confira a entrevista a seguir:

O que é o blog Boca no Mundo?

Pedro Landim – O blog Boca no Mundo foi uma extensão natural do meu interesse, que acabou se tornando paixão, pela gastronomia. A vontade de falar e refletir sobre comida, praticar receitas, fotografar, relatar minhas experiências, viagens e pontos de vista. Busco sempre escrever com humor e um toque de poesia, porque é assim que acredito que devemos encarar a vida, ainda mais aquela que se leva ao redor da cozinha.

Qual o seu lugar favorito pra comer no Rio? E em São Paulo?

Pedro Landim – Sou uma das pessoas mais ecléticas que conheço (risos) para comer, e procuro conhecer do bar na favela ao novo restaurante do Copacabana Palace. O Rio é uma cidade que permite isso, é a cidade da mistura. Tenho muitos ‘preferidos’, vou citar alguns sabendo que deixo muitos outros de fora. Entre os bares, Cachambeer, no Cachambi; o Bar do Momo, na Tijuca; e o Bar da Frente, na Praça da Bandeira. Falando em restaurantes, entre os de maior requinte: Roberta Sudbrack, que considero um gênio; o Lasai, que aponta para um futuro empolgante; o Bazzar, na ensolarada Ipanema; e o Eça, do Frederic de Maeyer, almoço fabuloso no Centro e o Irajá, do Pedro Artagão. Entre as opções mais em conta, curto lugares como o Entretapas e o Gula Gula. E os clássicos: Bar Brasil, Paladino e o Escondidinho, no Beco dos Barbeiros. Em São Paulo, que conheço muito menos do que gostaria, voto em famosos: o Mocotó dá orgulho de ser brasileiro, e o Maní é primoroso, cozinha inteligente, expressiva e saborosa. Tenho um carinho especial pelo Frevo, no Oscar Freire, onde meu pai me levava para comer sanduíches quando criança, nos tempos em que viajávamos a Sampa no Trem de Prata.

Tenho um amigo carioca que diz que no Rio é muito difícil achar restaurantes bons, não que o Rio não os tenha, mas é complicado achar! Você concorda? Se sim, o que você acha que falta?

Pedro Landim – É fato que hoje se acha um restaurante bom com facilidade bem maior do que se achava há 10 anos no Rio. Há maior interesse do público, preocupação maior com a matéria prima, com a qualidade no atendimento, a cidade está evoluindo apesar dos obstáculos. De qualquer forma, acho que ainda estamos para atingir a maioridade na gastronomia. O negócio restaurante, como sabemos, é um dos mais complicados, você depende de uma estabilidade econômica e de mão de obra capacitada, o Rio sofre com esses problemas. Fora o fato de que se tornou uma das cidades mais caras do mundo, e todos se prejudicam com essa inflação. Abrir um restaurante não pode ser uma tarefa de sobrevivência na selva, assim como sair para jantar não pode ser programa de quem ganha na loteria. A questão do preço é muito importante para a criação de um cenário, de uma cultura gastronômica. Vejo o negócio como vários elos de uma corrente, o chef, o produtor, o empresário, a imprensa, o cliente. Todos dependem uns dos outros e têm que evoluir juntos. Há também uma cultura exagerada da novidade. Rio é a cidade da vitrine e dos holofotes, onde o restaurante ganha prêmios e capas de revista e no ano seguinte fecha as portas. O lado bom, muito bom, é que nunca houve tantos bons chefs na cidade, isso acaba por elevar à média.

Melhor comida de “mesa” e a melhor de “balcão”?

Pedro Landim – Num universo de gostosuras são indispensáveis, por exemplo: a coxinha de galinha do bar Da Gema, na Tijuca, pensando no balcão. À mesa, sugiro o filé Oswaldo Aranha do Cosmopolita, na Lapa, em homenagem aos 450 anos do Rio. É onde o prato nasceu há quase um século, e onde até hoje ele é mais gostoso.

O que todos que visitam o Rio deveriam provar?

Pedro Landim – Os bons bares do subúrbio, como o Bar da Portuguesa, em Ramos, e o Original do Brás, em Brás de Pina. Os bares em lajes nas favelas onde o processo de pacificação deu certo, como o Bar do Alto e o Bar do David, no Chapéu Mangueira; o Bar do Tino, nos Prazeres; e também o Bar do Omar, no Morro do Pinto, na região histórica do porto. Outra boa ideia é um passeio pelo Cadeg, em Benfica, o Mercado Municipal, com almoço em restaurantes como o Barsa e a Parrilla del Mercado. Em termos de paisagem e beleza natural, a moqueca no Bar do Bira, em Guaratiba, é inesquecível. A feijoada no Bar do Mineiro, em Santa Teresa, é outro programa turístico que vale a pena. E um ótimo achado recente é a pizza do Ferro e Farinha, feita por um nova-iorquino apaixonado num pequeno balcão, algo como um botequim, no Catete.

Me conta como foi o Boca no Mundo/Mais asas. Ha quanto tempo você faz esses passeios?

Pedro Landim – Há quase um ano fui apresentado por amigos em comum ao pessoal do site Mais Asas, que promove ‘experiências’ carioca, e na mesma hora começamos a pensar em passeios interessantes e pouco explorados, fora dos guias turísticos tradicionais. E sugeri que levássemos as pessoas, turistas estrangeiros e brasileiros, ou mesmo moradores da cidade, aos bares que abriram, se reformaram ou se destacaram nas favelas ‘abertas’ à visitação com o processo de pacificação. As melhores vistas do Rio estão nos morros, é uma cidade feita desde sempre para ser vista de cima, a mais fotografada e sobrevoada. Fora os petiscos, comidas e receitas familiares deliciosas, temos a oportunidade de conhecer e entender esses lugares importantes na história e no cotidiano do Rio, perder o preconceito com as favelas, partilhar um pouco de seu cotidiano e sua cultura, conhecer seus generosos anfitriões.

Por fim, me conta um pouco mais sobre você!

Pedro Lanvim – Como já deu para perceber, sou um carioca apaixonado pela cidade, e gostaria de ter mais tempo para percorrer seus recantos a pé, sem pressa nem objetivo definido. Gosto de andar e observar as pessoas, as paisagens, as situações cotidianas. Mas também amo viajar acho que nada me deixa mais feliz do que conhecer novos lugares e culturas, algo que faço sempre sob a ótica da comida, mas sem dispensar museus, exposições, música e teatro. Essa disponibilidade para as novidades, e uma certa inquietude me levaram a fazer diversas coisas na vida, sempre buscando mudanças. Fui ator profissional quando criança e adolescente, fiz cinema e televisão, toquei percussão e cheguei a liderar um bloco de carnaval. Hoje estou mais concentrado na família, no trabalho e na leitura, com bons planos e disposição para aprofundar o mergulho na área da gastronomia. Com 20 anos de carreira no jornalismo, passei por diversas redações e hoje atuo como repórter do jornal O Dia, além de escrever para publicações diversas, impressas ou virtuais.

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