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O Gosto amargo do Desequilíbrio Comida X Preço!

O Gosto amargo do Desequilíbrio Comida X Preço!

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Um assunto que figurou os cadernos de gastronomia dos principais jornais do país nas últimas semanas foi o preço abusivo dos pratos nos restaurantes. Tenho percebido, em conversas com amigos e profissionais da área, um descontentamento geral com o aumento dos preços. É fácil encontrar em cardápios opções como “spaghetti com ragu de lingüiça caseira e tomates do pé da montanha” a estratosféricos R$80,00. Afinal, quanto vale um prato bem elaborado em um ambiente agradável e bom serviço? É possível agregar tudo isso em uma experiência fora de casa?

Já há alguns anos, na Europa, com origem mais especifica em Paris, surgiu um movimento para simplificar um pouco as coisas e tornar mais acessível uma refeição com toques de autor e bom serviço. A chamada bistronomia. Um misto de bistrot, que segundo Maria Lucia Gomensoro no “Pequeno Dicionário de Gastronomia, Ed. Objetiva” define como sendo um pequeno café que usualmente serve comida simples e vinho, com gastronomia. O resultado é um cardápio com menos opções, elaboradas com ingredientes selecionados, normalmente de produtores locais servido em um ambiente moderno, confortável, porém sem afetação. E um serviço atencioso, mas informal. E, preços super convidativos. Parece que esta moda está chegando em definitivo por aqui. Nos últimos meses, São Paulo recebeu uma leva de casas com propostas parecidas com esta. Com equipes reduzidas e profissionais multitarefas a ideia é reduzir os custos fixos sem colocar em cheque o que realmente importa, a comida. Este é o foco. Com poucas opções e propostas simples no cardápio, trabalhar com ingredientes sazonais vindos de produtores locais, aliados a aplicação de técnica parece ser a fórmula destas novas casas.

O Chef Ivan Achcar abriu no início do ano o Alma Cozinha, onde pratica preços de pratos principais por, em média R$35,00. Já o Tonton, do chef Gustavo Rozzino oferece pratos de até R$55,00. Ao que parece, é notícia para ser comemorada – digo ao pé da letra – por todos que estavam cansados de sair do restaurante com o gosto bem amargo do desequilíbrio da relação comida x preço x serviço.

Só podemos esperar que este movimento não tarde a chegar pelo interior.

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